A Procuradoria-Geral da
União (PGR) recebeu nesta terça-feira (7) pedido protocolado pelo líder do PSDB
na Câmara dos Deputados, Carlos Sampaio, para investigar a atuação das
ministras Maria do Rosário (Secretaria dos Direitos Humanos) e Eleonora
Menicucci (Secretaria de Políticas para as Mulheres) na crise do sistema
prisional do Maranhão. Sampaio alega suposta improbidade administrativa das
pastas em relação à situação do sistema carcerário do Complexo Penitenciário de
Pedrinhas, em São Luís (MA).
Na representação,
Sampaio diz que as ministras “nada fizeram para minimizar as graves violações
aos Direitos Humanos e aos Direitos das Mulheres”. Segundo o deputado, elas
deixaram de executar as atribuições dos cargos ao “aparentemente não tomarem
qualquer providência para solucionar ou, ao menos, evitar as graves ocorrências
denunciadas no complexo penitenciário maranhense”.
O
G1 entrou em contato com a Secretaria de Políticas para as Mulheres e a
Secretaria de Direitos Humanos, que afirmaram não ter recebido nenhuma
representação até às 14h desta terça-feira (7). Em nota conjunta, as ministras
Eleonora Menicucci e Maria do Rosário Nunes afirmaram ter um posicionamento
radical contra “todas as formas de violência contra as mulheres e meninas,
inclusive do estupro como arma de guerra e tortura”.
“O
Governo Federal trabalha em conjunto com os demais poderes para combater com
rigor estes crimes. Mulheres e meninas não são objetos e jamais devem ser alvo
de troca, coerção, ou qualquer manifestação de violência”, afirmaram as
ministras.
Em
2013, 60 detentos morreram em Pedrinhas. Além das mortes, há problemas como
superlotação e a não separação de presos. A governadora do Maranhão, Roseana
Sarney (PMDB), aceitou nesta segunda (6) o auxílio do Ministério da Justiça
para conter a onda de violência no estado, com atentados ordenados de dentro do
sistema prisional.
No
documento enviado à PGR, o PSDB diz ainda que, entre as atribuições de Maria do
Rosário, está o combate à tortura, mas que “apesar das gravíssimas violações a
direitos humanos [...] não se tem notícias, no caso, da tomada de qualquer providência
por parte da Secretaria de Direitos Humanos” e que a ministra “quedou-se
silente”.
Em
relação a Eleonora Menicucci, a representação sustenta que, embora a pasta
tenha entre suas atribuições atuar na proteção das mulheres, “não se teve
conhecimento de nenhuma providência concreta tomada pela unidade para
‘enfrentar’, prevenindo ou combatendo os inúmeros casos de violência contra
mulheres praticados no complexo prisional de Pedrinhas”.
O
deputado Carlos Sampaio também pediu que a Comissão de Ética Pública da
Presidência da República investigue a suposta violação e pediu que fosse aberto
um prazo de cinco dias para manifestações das ministras, como determina o
Código de Conduta da Alta Administração Federal.
Violência
Na sexta-feira (3), quatro ônibus foram incendiados e duas delegacias foram alvos de ataques na Região Metropolitana de São Luís. Dez suspeitos de participação nos ataques foram apresentados no domingo (5) pela Secretaria de Segurança Pública – dois adolescentes e oito maiores de idade, entre eles um preso de Pedrinhas.
Na sexta-feira (3), quatro ônibus foram incendiados e duas delegacias foram alvos de ataques na Região Metropolitana de São Luís. Dez suspeitos de participação nos ataques foram apresentados no domingo (5) pela Secretaria de Segurança Pública – dois adolescentes e oito maiores de idade, entre eles um preso de Pedrinhas.
No
último dia 27, o juiz Douglas de Melo Martins enviou ao presidente do Conselho
Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa,
relatório no qual afirmou que o sistema prisional do Maranhão é dominado por
facções cuja principal característica é “a extrema violência”. Devido às
frequentes mortes nos presídios maranhenses, o procurador-geral da República
cogitou pedir intervenção federal no estado.
De
acordo com o juiz, no Centro de Detenção Provisória e nos presídios São Luís I
e II, as visitas íntimas ocorrem em ambiente coletivo, o que “facilita o abuso
sexual” contra mulheres de presos que não exercem liderança. Também há relatos
de mulheres e irmãs de presos obrigadas a ter relações sexuais com líderes das
facções criminosas, que ameaçam de morte os detentos que se recusam a permitir
o estupro.

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