A comentarista política do
Jornal da Globo, Renata Lo Prete, disse, na edição da noite de ontem (6), que a
governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), está numa situação
politicamente “difícil”, agravada pela “rejeição de quase metade do eleitorado”
e pela crise na segurança pública, que afeta tanto a governadora como o PT,
“dividido sobre abandonar ou não a família Sarney”.
De acordo com a
comentarista, Roseana só encarou a gravidade do problema quando a situação na
segurança ficou “insustentável”, para evitar um desgaste político, que poderia
ser aproveitado por adversários nas eleições de outubro, e ainda afastar o risco
de uma eventual intervenção federal no estado.
Veja
os comentários do Jornal da Globo:
William
Waack (apresentador, dirigindo-se a Renata Lo Prete, comentarista política) –
Renata, no fundo a governadora do Maranhão entrou numa situação delicada. Ela
está tendo que aceitar uma política de segurança determinada pelo governo
federal.
Renata
Lo Prete – Nos bastidores, essa
negociação não foi fácil. Até a situação ficar insustentável, a governadora
Roseana Sarney, do PMDB, se mostrava mais preocupada em refutar as críticas dos
adversários, de olho nas eleições de outubro, do que em encarar a gravidade do
problema.
Foi
preciso lembrar a ela que o desgaste político será ainda maior se o Supremo
Tribunal Federal aceitar um eventual pedido de intervenção no estado feito pelo
procurador-geral da República.
A
conta ainda não foi fechada, mas o Ministério da Justiça estima em dezenas o
número de detentos que serão transferidos para presídios federais. Sobre isso,
o secretário Aluísio Mendes (Segurança) disse: “O governo federal fez esse
oferecimento ao governo do estado, a governadora aceitou muito bem esse
oferecimento, nos mandou estudar a necessidade de fazer essa transferência e a
quantidade. E é isso que nós estamos fazendo nesse momento”.
Christiane
Pelajo (apresentadora) – Agora, Renata, essa crise na segurança pública
complica a política do Maranhão, onde, aliás, dois grupos aliados do governo
federal disputam o governo do estado.
Renata
Lo Prete – É isso mesmo. Roseana,
que é do PMDB, está no segundo mandato consecutivo e não pode disputar um
terceiro, mas o clã Sarney, aliado de primeira hora das gestões Lula e Dilma,
há meio século no poder no Maranhão, terá um representante na sucessão de
Roseana. Representante que vai enfrentar Flávio Dino, do PC do B, presidente da
Embratur e líder nas pesquisas.
A
situação é difícil para Roseana, hoje rejeitada por quase metade do eleitorado,
mas é delicada também para o governo Dilma, porque o petismo ainda está
dividido sobre abandonar ou não a família Sarney. Uma intervenção federal no
estado seria algo muito mais custoso, sob todos os aspectos, do que o envio da
Força Nacional e a remoção de alguns presos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário