O patriarca do clã, senador José Sarney (PMDB-AP), conversou ontem com o
vice-presidente da República e presidente do PMDB, Michel Temer, sobre o
assunto. Sarney reforçou a posição contra qualquer tipo de intervenção,
alegando que não haveria sustentação jurídica e nem mesmo política para a
medida, considerando que a governadora Roseana Sarney é aliada da presidente
Dilma Rousseff.
Apesar da preocupação da família Sarney, os peemedebistas reconhecem que
até agora o governo federal tomou todos os cuidados para não constranger
Roseana. Mas até aliados da família admitem que a crise na segurança pública
complicou a eleição de Roseana para o Senado e a do candidato do PMDB à sua
sucessão, Luis Fernando Silva, atual secretário estadual de Infraestrutura.
Politização da crise
Além disso, há quem acredite que a crise no Maranhão poderá atingir
também uma eventual candidatura à reeleição do próprio patriarca ao Senado pelo
Amapá. Sarney já havia dito que não disputaria outro mandato, mas esta hipótese
voltou a ser considerada recentemente. Como o apoio do ex-presidente Lula e de
Dilma podem ser fundamentais para assegurar os êxitos dos peemedebistas, a
expectativa é que a atual crise leve a família a diminuir suas exigências no
plano local.
Aliados de Roseana tentam minimizar o impacto eleitoral da atual crise.
Eles alegam que outros estados, como São Paulo e Paraná, passaram por cenários
semelhantes no sistema prisional, e que, no caso do Maranhão, estaria havendo
uma tentativa de politizar a questão. Ainda de acordo com pessoas próximas à
família Sarney, a superlotação dos presídios é um problema da Justiça, e não do
governo estadual.
Com uma dívida de gratidão com Sarney, aliado de primeira hora de sua
campanha vitoriosa em 2002, Lula defende a manutenção do apoio ao PMDB no
Maranhão, mas o presidente nacional do PT, Rui Falcão, já sugeriu há alguns
meses uma solução intermediária, que seria apoiar Dino para o governo e Roseana
para o Senado, o que, por ora, não é aceito por nenhuma das partes: PMDB, PT e
PCdoB. Em 2010, a direção nacional do PT enquadrou o partido no Maranhão e
impôs o apoio à candidatura de Roseana contra o próprio Dino.
— O Sarney virou um problema nacional. Estar perto do Sarney e da
Roseana é comprometer nacionalmente o PT e o projeto de reeleição da Dilma. É
levar a crise do Maranhão para o colo da Dilma — disse Márcio Jardim,
integrante da Executiva do PT no Maranhão e do grupo pró-Dino.
Defensores da candidatura de Dino no PT ponderam, no entanto, que o
comunista não facilita o entendimento ao garantir lugar em seu palanque para o
pré-candidato do PSB à Presidência da República, governador Eduardo Campos
(PE). O candidato ao Senado na chapa de Dino será do PSB.
Em meio ao racha no PT, até o diretório regional do Maranhão está sem
presidente de fato. O atual presidente Raimundo Monteiro, aliado da família
Sarney, foi reeleito em novembro, mas o resultado foi contestado pelos
defensores da candidatura de Dino. Há uma reunião da Executiva Nacional marcada
para o próximo dia 27, em São Paulo, mas, a princípio, esse assunto não está na
pauta.
De o globo

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