RIO — A miséria no Maranhão foi alvo de crítica de José Sarney em 1966,
durante sua posse como governador pela UDN/Arena. A solenidade, marcada pelo
início do domínio político da família no estado e pela denúncia de problemas
existentes até hoje, foi documentada pelo cineasta Glauber Rocha, morto em
1981. (Assista aqui ao
curta)
Em pouco mais de dez minutos, enquanto Sarney fala a milhares de pessoas
em praça pública, imagens dos problemas sociais do Maranhão são exibidos.
Glauber filmou a posse a convite de Sarney.
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“Maranhão 66”, lançado à época em sessão especial no Cinema Paissandu,
no Rio, mostrou hospitais sem condição de atendimento, trabalho infantil e
presos em situação precária. E Sarney prometeu mudanças.
— O Maranhão não suportava mais nem queria o contraste de suas terras
férteis, de seus vales úmidos, seus babaçuais ondulantes e suas fabulosas
riquezas potenciais, com a miséria, com a angústia, com a fome, com o desespero
— diz Sarney.
No início do filme, Sarney é saudado: “Sarney, Sarney!”, gritam milhares
de pessoas. Enquanto a câmera passeia por um hospital em péssimas condições,
ouve-se a voz do novo governante:
— O Maranhão não quer a miséria, a fome, o analfabetismo, as mais altas
taxas de mortalidade infantil, de tuberculose, de malária.
A crítica à violência, hoje realidade no estado, também não ficou de
fora.
— O Maranhão não quer a violência como instrumento da política para
banir direito dos mais sagrados que são os da pessoa humana, com a impunidade
dos assassinos garantidos pelos delegados e a realidade reduzida apenas a uma
oportunidade para abastardar os homens.
De o globo

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