Ano após ano, a TV aberta vê minguar o número de telespectadores
interessados em sua programação. O ano de 2013, por exemplo, que se encerra
nesta terça-feira (31), é um daqueles que emissoras como Globo, da família
Marinho, e SBT, de Silvio Santos, querem esquecer. Ambas registraram, neste
ano, sua piores audiências. De 1º de janeiro a 26 de dezembro, a média diária
(das 7h à meia-noite) da Globo na Grande São Paulo (onde está concentrada a
maioria dos anunciantes) foi de 14,3 pontos - 0,3 menos do que em 2012. O SBT
encerra o ano com 5,3 pontos de média diária, ante 5,6 pontos do ano passado.
Record e Rede TV também tiveram ligeira queda.
O
que preocupa as emissoras em relação à diminuição da sua audiência é que ela
não está migrando de um canal para outro. O telespectador está optando por
desligar a TV, para acessar a internet. Um estudo inédito feito pela IAB Brasil
em parceria com a comScore, divulgado no ano passado, atestou isto. A internet
já é a mídia mais consumida no país, com mais de 100 milhões de internautas.
Segundo
o levantamento "Brasil Conectado – Hábitos de Consumo de Mídia", que
investigou a importância crescente da web na rotina dos brasileiros, mostra que
a internet já é considerado o meio mais importante para 82% dos 2.075
entrevistados. Mais de 40% dos entrevistados passam, pelo menos, duas horas por
dia navegando na internet (por vários dispositivos digitais), enquanto apenas
25% gastam o mesmo tempo assistindo TV. A internet aparece como a
atividade preferida por todas as faixas etárias, de renda, gênero e região
quando se tem pouco tempo livre, somando 62%.
Até
mesmo na faixa nobre (das 18h à meia-noite), onde a Globo sempre apresentou
desempenho invejável e onde estão concentradas suas principais atrações - as
novelas, o Jornal Nacional e a linha de shows -, a queda da sua audiência foi
maior. Caiu de 24,6 pontos (2012) para 23,2 pontos (2013). O SBT passou de 6,7
para 6,5 pontos. A Band foi de 3,7 para 3,5 pontos. A Rede TV! marcou 1,2 ponto
neste ano, ante 1,3 em 2012.
Na
Globo, as novelas tiveram um ano muito ruim. A novela teen Malhação, que já
chegou a dar 30 pontos de audiência, hoje sofre para alcançar os dois dígitos,
mantendo-se com dificuldade na casa dos 12 pontos. A atual novela das 18h, Joia
Rara, também vai mal, com índices inferiores a 20 pontos. Mas o principal
problema hoje da emissora dos Marinho é a novela das 19h, Além do Horizonte,
que, em muitas ocasiões, aparece com a mesma audiência da novela das 18h,
distante dos 30 pontos desejados pela TV.
O Jornal Nacional, principal telejornal do país, é um dos
produtos da Globo comaudiência mais declinante. Vê 2013
também como o pior ano da sua história. Em 2012 e 2013, o principal
programa da Rede Globo registrou perda acumulada de audiência de 18,4%; na
última década, acúmulo de queda no Ibope soma quase 30%. Neste ano, não passa,
na média anual, dos 26 pontos. É o mesmo cenário desolador do Fantástico,
principal programa da Globo aos domingos. Dificilmente, o programa chega aos 20
pontos.
Nas
outras emissoras, a situação não é diferente. A Record, que num passado
recente, chegou a fazer certo sucesso com suas novelas, hoje tem audiência
pífia com a novela "Pecado Mortal", do autor Carlos Lombardi,
ex-global. No turno da tarde também sofre com números que dificilmente passam
dos 5 pontos. Cada ponto no Ibope equivale a 62 mil telespectadores na Grande
São Paulo. No SBT, após o sucesso da novela infantil Carrossel, que colocou a
emissora com audiência acima dos dois dígitos, agora já vê declínio do
interesse do telespectador no seu novo produto, a também novela teen
Chiquititas. Além disso, há excesso de reprises na TV de Silvio Santos
Assim como jornais e revistas, que vêm sendo superados em
audiência pela mídia digital, levando alguns títulos à extinção, a
televisão enfrenta a queda do interesse do brasileiro, que prefere ver os
vídeos do Youtube e se informar pelos sites e redes sociais. Ou ainda adquirir
séries e filmes por canais da internet, como Netflix. O último muro que ainda precisa
ser derrubado em relação à mudança de hábitos da audiência é o conservadorismo
dos anunciantes e das agências de publicidade, ainda muito presos à TV. Com o
público migrando para a internet, o produto tem que ser mostrado onde a
audiência realmente está.

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