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segunda-feira, 14 de abril de 2014

"Não tenho nenhum rancor dessas pessoas", diz Márcio sobre envolvidos em ataques


O entregador de frangos, Márcio Ronny da Cruz, de 37 anos, uma das vítimas dos ataques a ônibus na capital, em janeiro, já está em casa, no bairro São José dos Índios, em São José de Ribamar. O homem, que ficou conhecido como "o heroi dos ataques", disse que não guarda nenhum rancor dos criminosos envolvidos no incêndio do ônibus em que ele estava e que o deixou com mais de 70% do corpo queimado.

"Felizmente não tenho nenhum rancor dessas pessoas. Sei que, apesar de tudo, eles não tinham a intenção de matar ou deixar alguém ferido. Rezo para que Deus faça com que eles se arrependam do que eles fizeram. É só o que posso fazer", disse Márcio.

Márcio Ronny da Cruz recebeu a reportagem de O Imparcial, na manhã desta segunda-feira (14) e falou sobre a recuperação e as memórias que tem a respeito da noite do dia 3 de janeiro deste ano, quando teve 75% do corpo queimado na tentativa de salvar duas crianças de um ônibus em chamas, durante os atentados na capital.

Márcio está na casa da mãe, no bairro São José dos Índios, em São José de Ribamar, até que recupere sua autonomia para poder retomar as atividades e ao convívio da mulher e dos cinco filhos.

O vendedor de frangos chegou em São Luís na madrugada de ontem, acompanhado dos familiares. Ele recebeu alta na última sexta, do Hospital de Queimados de Goiânia, onde se tratava há aproximadamente três meses. Segundo a família, Márcio ainda está bastante debilitado e com a saúde frágil, mas consciente e otimista. “Agora ele precisa descansar e prosseguir com o tratamento e nós estaremos aqui para dar toda ajuda e apoio a ele”, disse a dona de casa Neliete da Cruz Nunes, 39 anos, irmã do entregador. 

O dia do ataque

Quando ocorreram os ataques, Márcio Ronny retornava do trabalho para casa. O ônibus em que estava, da linha Vila Sarney Filho, foi incendiado e entre os atingidos estavam Ana Clara Santos Sousa, de seis anos, que veio a falecer dias depois. Márcio se abraçou à menina que estava em chamas e também saiu ferido. Ana Clara teve mais de 90% do corpo queimado. As outras vítimas foram Juliane Carvalho Santos, 22 anos (mãe de Ana Clara), Lorrane Beatriz, de um ano e cinco meses (irmã de Ana Clara) e Abyancy Silva Santos, 35 anos. Márcio se submeteu a várias cirurgias para retirada e enxerto de pele e passou cerca de um mês internado. 


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