A Câmara dos Deputados pode decidir nesta
semana se o devedor de pensão alimentícia será preso em regime fechado ou
semiaberto. A mudança do regime de prisão é um dos pontos polêmicos do projeto
do novo Código de Processo Civil (Novo CPC - PL 8046/10), que está na pauta do
Plenário.
O projeto amplia de três para dez dias o
prazo que o devedor tem para justificar a dívida e determina que o inadimplente
seja preso inicialmente em regime semiaberto – em que ele trabalha durante o
dia e passa a noite preso. O regime fechado só será usado para reincidentes e,
nos dois casos, a prisão poderá ser convertida em prisão domiciliar se não for
possível separar o devedor dos outros presos.
A bancada feminina criticou a mudança e
defende que seja mantida a regra atual, que dá ao devedor três dias para quitar
a dívida ou justificar a ausência do pagamento e submete o inadimplente à
prisão em regime fechado. Foram apresentados oito destaques para mudar o
projeto.
Prisão em regime fechado
O relator, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), espera fechar um acordo em torno de uma emenda que mantém os três dias e a prisão em regime fechado, mas garante que o devedor seja separado dos presos comuns.
O relator, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), espera fechar um acordo em torno de uma emenda que mantém os três dias e a prisão em regime fechado, mas garante que o devedor seja separado dos presos comuns.
A emenda também determina que a dívida
seja protestada em cartório, o que vai permitir a inclusão do nome do
inadimplente em serviços de proteção ao crédito, como Serasa e SPC. “Ainda não
existe acordo, mas as mulheres estão sensibilizando as suas bancadas pela
manutenção da prisão em regime fechado”, disse Teixeira.
A emenda foi construída com a bancada
feminina, de acordo com a coordenadora da bancada, deputada Jô Moraes
(PCdoB-MG). “Vamos pedir para os líderes que votam por esta emenda, que
recupera a legislação atual”, disse a deputada.
Para ela, se for mantida a redação atual,
do regime semiaberto, será um “grande retrocesso”. Jô Moraes lembrou que tem
aumentado o número de divórcios e que as mulheres passaram a ser chefes de
família e precisam contar com a pensão para sustentar os filhos. “A experiência
mostra que, apesar da lei atual, ainda temos muitos pais que tentam fugir de
cumprir a lei”, disse.
Semiaberto para devedor
continuar trabalhando
O deputado Marcos Rogério (PDT-TO), no entanto, defende a manutenção do texto do projeto, que determina prisão em semiaberto. Ele argumenta que o semiaberto vai dar a possibilidade de o devedor continuar trabalhando.
O deputado Marcos Rogério (PDT-TO), no entanto, defende a manutenção do texto do projeto, que determina prisão em semiaberto. Ele argumenta que o semiaberto vai dar a possibilidade de o devedor continuar trabalhando.
“Imagina se ele vai preso e perde o
emprego. A criança que receberia essa pensão fica ainda mais desamparada. A
prisão fechada tem de ser o último caso e não uma regra absoluta”, afirmou.
Ele criticou o fato de as disputas por
pensão alimentícia, em muitos casos, estarem focadas na briga entre os pais e
não no melhor interesse da criança. “Para a criança, não há prejuízo com o
regime semiaberto. Usa-se o semiaberto para forçar o pagamento e, se a pensão não
for paga, o devedor irá para o regime fechado”, avaliou.
Quatro outros destaques
Antes de iniciar a discussão sobre pensão alimentícia, o Plenário ainda terá de analisar quatro destaques ao novo CPC:
* o número de testemunhas admitidas no processo;
* o reexame obrigatório de causas em que o governo for perdedor;
* os efeitos das decisões judiciais antes da sentença; e
*a determinação de que os juízes devem respeitar os precedentes dos tribunais superiores.
Antes de iniciar a discussão sobre pensão alimentícia, o Plenário ainda terá de analisar quatro destaques ao novo CPC:
* o número de testemunhas admitidas no processo;
* o reexame obrigatório de causas em que o governo for perdedor;
* os efeitos das decisões judiciais antes da sentença; e
*a determinação de que os juízes devem respeitar os precedentes dos tribunais superiores.
Paulo Teixeira, no entanto, garantiu que
não há polêmica nestes pontos e eles terão uma votação mais rápida. Nas últimas
duas semanas, os deputados já avançaram na análise dos destaques ao novo CPC e autorizaram o pagamento de
honorários para advogados, ampliaram a participação dos interessados
nos processos judiciais e
limitaram a penhora de contas bancárias e investimentos.
Terminar antes do carnaval
A expectativa do relator, Paulo Teixeira, é que os deputados terminem a análise de todos os cerca de 40 destaques antes do carnaval. “Vamos avançar nos destaques e, se não terminarmos nesta semana, terminaremos na semana que vem”, disse.
A expectativa do relator, Paulo Teixeira, é que os deputados terminem a análise de todos os cerca de 40 destaques antes do carnaval. “Vamos avançar nos destaques e, se não terminarmos nesta semana, terminaremos na semana que vem”, disse.
O texto base do novo CPC foi aprovado no final do ano passado. Criado por
uma comissão de juristas em 2009 e já aprovado no Senado, o projeto tem como
objetivo acelerar a tramitação das ações cíveis. Para isso, elimina
formalidades e recursos, aposta na conciliação e cria mecanismos para lidar com
ações coletivas e ações repetitivas.
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