Poucas horas após o governo do
Maranhão anunciar, no início da noite dessa quinta-feira (18), medidas para
“pacificar” e devolver a tranquilidade ao Complexo Penitenciário de Pedrinhas,
em São Luís (MA), o maior estabelecimento prisional do Maranhão voltou a ser
palco de uma rebelião e de mais um assassinato de preso. O motim aconteceu no
Presídio São Luís 2, ontem à noite. Segundo a assessoria do governo maranhense,
apesar de o tumulto ter sido logo contido, policiais da Tropa de Choque e do
Grupo Especial de Operações Penitenciárias (Geop) voltaram a ser deslocados
para o local a fim de reforçar a segurança. Nenhum preso escapou.
A
rebelião de ontem aconteceu menos de dois dias após 13 detentos escaparem por um túnelcavado
a partir do Presídio São Luís 1, na madrugada de quarta-feira (17) - fato que
antecedeu um princípio de rebelião durante a qual detentos conseguiram
serrar os cadeados das celas, alcançar o telhado e pular o muro do complexo ou
simplesmente chegar à rua através do portão principal, sendo impedidos de fugir
por agentes penitenciários e policiais militares que estavam diante do
complexo. A confusão foi testemunhada e registrada por jornalistas.
A
Secretaria de Justiça e Administração Penitenciária (Sejap) não descarta a
hipótese de que as rebeliões, fugas e tumultos dos últimos dias sejam uma
reação dos presos à transferência de detentos para outra unidade penitenciária:
a São Luís 3. Instalada em Maruaí, na zona rural de São Luís, a unidade já
recebeu a primeira leva de detentos de Pedrinhas. Por razões de segurança, as
autoridades maranhenses não revelam detalhes das transferências. Mas confirmam
que São Luís 3 tem 479 vagas que serão destinadas a presos provisórios e
sentenciados, com regime diferenciado de segurança e disciplina de acordo com o
caso.
Internos
que se envolveram na última rebelião foram transferidos para a Central de
Custódia de Presos, que fica em outro bairro da capital maranhense. A Sejap
também não divulgou o número de presos remanejados.
Após o
fim do motim no Presídio São Luís 2, a Sejap revelou que um preso foi
encontrado morto no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pedrinhas. O corpo
de Hélio da Silva Sousa, de 21 anos, foi encontrado esta madrugada, com um
lençol enrolado no pescoço. Peritos dos institutos Médico-Legal (IML) e de
Criminalística (Icrim) estiveram no local e fizeram os procedimentos
necessários antes que o corpo fosse liberado. As causas da morte vão ser
apuradas.
O CDP é
a unidade de onde, no último dia 10, 36 detentos fugiram depois que bandidos
obrigaram o motorista de um caminhão a lançar o veículo contra o muro do complexo, abrindo um grande buraco
no concreto. Nessa segunda-feira (15), o diretor do centro, Cláudio Barcelos,
foi detido em caráter temporário, acusado de receber propina para facilitar a
fuga de presos. Conforme a Agência Brasil noticiou, até ontem, 46 dos 49 presos
que conseguiram escapar na última semana continuavam à solta.
Com a
morte de Sousa, sobe para pelo menos 17 o número de presos mortos esse ano no
interior de Pedrinhas, segundo monitoramento feito pela própria Agência
Brasil. A décima sexta morte havia sido confirmada no sábado
(14) à noite. Segundo a Sejap, Eduardo Cesar Viegas Cunha foi morto na Central
de Custódia de Presos de Justiça (CCPJ). Dados do Conselho Nacional de Justiça
(CNJ), mostram que, em 2013, ao menos 60 presos foram assassinados dentro do
complexo.
Ontem
(18) à tarde, a governadora Roseana Sarney se reuniu com representantes do
Tribunal de Justiça do Maranhão, Defensoria Pública estadual, Assembleia
Legislativa, Ministério Público Estadual e Federal, Ministério da Justiça,
Conselho Penitenciário do Estado e de diversas secretarias estaduais para
definir novas medidas para o sistema carcerário.
Entre
as medidas definidas, está a instalação, em Pedrinhas, de uma sala de
videomonitoramento. A proposta é realizar teleaudiências, tornando
desnecessário o deslocamento dos presos perigosos até o Fórum. Também ficou
estabelecido que o Ministério Público estadual vai acompanhar os inquéritos que
apuram as fugas de presos.
Além de
tratarem do funcionamento do Presídio São Luís 3, as autoridades do governo
também explicaram que outras cinco unidades prisionais vão ser inauguradas até
o final do ano, totalizando 2.446 novas vagas carcerárias. Além disso, outras
quatro unidades do interior estão sendo reformadas e ampliadas para abrigar
mais 564 presos.

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