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quinta-feira, 6 de março de 2014

ARARI - Prestação de contas irregular motiva manifestações contra ex-presidente de Câmara de Vereadores


O Ministério Público do Maranhão (MPMA) ajuizou Ação Civil por Ato de Improbidade Administrativa e ofereceu Denúncia contra o ex-presidente da Câmara de Vereadores de Arari (a 154 km de São Luís), Israel Oliveira Alves, por irregularidade na prestação de contas do exercício financeiro de 2009.
Além da Ação e da Denúncia, o ex-presidente é objeto de Ação Civil Pública de Execução Forçada, que cobra débito de R$ 206,4 mil, resultante do julgamento, pelo Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA),  da prestação de contas.
As manifestações, datadas de 18 de fevereiro, foram subscritas pela titular da Promotoria de Justiça da Comarca de Arari, Sílvia Menezes de Miranda.
Na Ação, a promotora de justiça cita 13 irregularidades constantes da prestação de contas apresentadas ao TCE-MA, referentes, em sua maioria, à falta e incorreção de empenhos e relatórios de gestão fiscal.
A representante do MPMA destaca que não foram realizados procedimentos de dispensa de licitação para compra de material de expediente e limpeza e contratação de serviços de assessoria contábil, engenharia e assessoria jurídica, totalizando R$ 117,5 mil.
SUBSÍDIO EM DOBRO
Ainda de acordo com a promotora, os subsídios dos vereadores foram pagos em valor menor do que os R$ 3.715,25, estabelecidos em resolução legislativa. Por outro lado, o ex-presidente recebeu subsídios de R$ 7.430,50, o dobro do valor permitido por lei.
"Ele recebia verbas de representação pelo cargo, quando, na verdade, deveria receber apenas subsídio, constituindo os valores percebidos irregularmente, haja vista ausência de autorização na Resolução Legislativa", explica Sílvia Menezes. O valor recebido ilegalmente totaliza R$ 22,2 mil.
Também não foram recolhidos R$ 9,9 mil, referentes às contribuições previdenciárias retidas de servidores e vereadores.
Outra irregularidade verificada foi que a prestação de contas foi elaborada e assinada por profissional não ocupante de cargo efetivo ou comissionado.
SANÇÕES
Na Ação Civil por Ato de Improbidade Administrativa, o MPMA requer que a Justiça condene o ex-gestor ao ressarcimento de R$ 194,1 mil e à suspensão dos direitos políticos por prazo que pode variar de oito a dez anos.
As sanções incluem a proibição de receber benefícios e/ou incentivos e contratar com o Poder Público e o pagamento de multa de até 100 vezes a remuneração recebida em 2009 e de até três vezes o valor do acréscimo patrimonial durante o período em que Israel Oliveira exerceu o cargo de presidente da Câmara de Vereadores.

Na Ação de Execução, a promotora requer que o ex-gestor pague, em três dias após sua citação, R$ 206,4 mil monetariamente atualizados. Em caso de não pagamento, bens do ex-presidente podem ser penhorados até o limite do débito.

Mortes de presos prosseguem e mostram fracasso de Roseana

CAOS NOS CÁRCERES DO MARANHÃO
Oito detentos já foram assassinatos neste ano no sistema prisional maranhense – cinco deles por estrangulamento ou enforcamento
Por OSWALDO VIVIANI (JP)
Os assassinatos de detentos no sistema carcerário maranhense prosseguem, e mostram que as “medidas emergenciais” levadas a cabo pelo governo Roseana Sarney (PMDB) para conter a séria crise que se instalou nos presídios no fim do ano passado fracassaram.
Vinte e cinco presos (a maioria formada por líderes de facções) foram transferidos para um presídio federal de segurança máxima, em Campo Grande (Mato Grosso do Sul); o Batalhão de Choque, da Polícia Militar do Maranhão, e a Força Nacional (federal) tomaram conta das sete unidades do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, realizando revistas quase diárias nas celas; um órgão com nome pomposo – Comitê Gestor de Ações Integradas – foi criado pelo governo estadual para enfrentar a crise prisional; e um mutirão para analisar os processos dos apenados foi realizado pela Defensoria Pública do Estado.
No entanto, nada disso parece estar dando resultados efetivos. As mortes nas prisões do Maranhão continuam. Oito apenados foram mortos neste ano no estado, quatro em Pedrinhas, um na CCPJ do bairro do Anil e três em cidades do interior (Santa Inês, Balsas e Itapecuru-Mirim). Apenas mudaram os meios utilizados.
Com acesso restringido, pelas revistas periódicas nas celas, a armas de fogo e brancas – revólveres, “chuços” (faca artesanal), facões –, os presos agora estão usando, para matar seus desafetos, o que a Secretaria de Segurança do Maranhão chama de “outros meios”: enforcamento (com lençóis, fios elétricos ou o que estiver à mão); estrangulamento (com objetos ou com as próprias mãos); ou espancamento. Sete dos oito detentos mortos neste ano no sistema penitenciário do Maranhão foram assassinados dessa forma. Um foi morto a “chuçadas”.
Veja a relação dos presos assassinados no sistema carcerário do Maranhão neste ano:

Jô Nojosa foi achado enforcado com uma ‘teresa’ numa cela da CCPJ de Pedrinhas em 21 de janeiro

Cledeilson de Jesus foi morto por estrangulamento e jogado num balde, em Santa Inês



Valdiano da Silva: assassinado por espancamento numa prisão em Balsas


Josinaldo e Sildener: ambos foram mortos no dia 2 de janeiro, no CDP de Pedrinhas
OS 8 PRESOS ASSASSINADOS EM 2014 NO SISTEMA PENITENCIÁRIO DO MARANHÃO
1 Josinaldo Pereira Lindoso, 35
Encontrado estrangulado na manhã de 2 de janeiro, na cela 9 do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pedrinhas. Tinha condenação por assalto.
2 Sildener Pinheiro Martins, 19
Morto a “chuçadas”, igualmente no dia 2 de janeiro, à tarde, também no Centro de Detenção Provisória (CDP), numa cela do Bloco Alfa. Acusado de assalto e homicídio. Sem condenação.
3 Jô de Sousa Nojosa, 21
Assassinado por enforcamento, com uma “teresa” (corda improvisada), no dia 21 de janeiro, na cela 7 do bloco D da Central de Custódia de Presos de Justiça (CCPJ) de Pedrinhas. Tentou entrar com maconha e um celular, numa visita a um detento. Preso porque já havia um mandado de prisão contra ele, por porte ilegal de arma. Sem condenação.
4 Cledeilson de Jesus Cunha, 37
Assassinado por estrangulamento na Unidade Prisional de Ressocialização (UPR) de Santa Inês (a 245 quilômetros de São Luís) em 22 de janeiro. Cumpria condenação por assalto e respondia também por participação no homicídio de Josinaldo Pereira Lindoso, no CDP de Pedrinhas, em 2 de janeiro.
5 Valdiano Fernandes da Silva, 27
Espancado no domingo (26) por quatro presos, na Unidade Prisional de Ressocialização (UPR) de Balsas (a 790 quilômetros de São Luís), morreu na terça (28), no Socorrão de Imperatriz. Estava preso por assalto. Sem condenação.
6 Joelson da Silva Moreira, o ‘Índio’, 29
Espancado no dia 7 de fevereiro (sábado), por outros detentos, na Delegacia Regional de Itapecuru-Mirim (a 120 quilômetros de São Luís). Foi trazido no mesmo dia para a capital e internado no Hospital Municipal Dr. Clementino Moura (Socorrão 2), com múltiplos ferimentos, em estado grave. Morreu na noite de quarta-feira (12).
7 João Francisco Diniz Pereira, 25
Encontrado enforcado na Central de Custódia de Presos de Justiça (CCPJ) do bairro do Anil, na tarde do dia 26 de fevereiro, na cela 4 do Pavilhão Externo. Tinha 6 presos na cela. João Francisco cumpria pena de mais de 17 anos por assaltos e tráfico de drogas. Havia ingressado no dia 25 de janeiro de 2012 no sistema prisional maranhense.
8 Pedro Elias Martins Viegas, 30, o ‘Jacaré’
Assassinado por enforcamento na tarde (15h09) de 1º de março, no Bloco 1 do Centro de Detenção Provisória (CDP – Pedrinhas). Preso por tráfico de drogas, “Jacaré” havia sido transferido do Centro de Triagem para o CDP um dia antes de ser morto (28 de fevereiro). Não tinha condenação.
Do blog do John Cutrim

PRF registra 155 mortes em estradas federais durante carnaval no país


A Polícia Rodoviária Federal divulgou, nesta quinta-feira (6), que 155 pessoas morreram em acidentes nas estradas federais durante a operação de carnaval de 2014. O dado foi divulgado emContagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Ao todo, foram registrados 3.201 acidentes, com 1.823 pessoas feridas, entre 0h de sexta-feira (28) e a 0h desta quinta-feira.
Em 2013, 157 pessoas morreram em 3.149 acidentes nas estradas federais durante os seis dias de operação de carnaval, entre 8 e 13 de fevereiro, com 1.793 feridos.



“A maioria dos acidentes ocorre por imprudência, ou seja, mesmo que se invista muito em tecnologia, em aumento de fiscalização, em rodovias, se não investirmos em educação no trânsito, nós ainda vamos ter muitos problemas pela frente”, disse a diretora-geral da Polícia Rodoviária Federal, Maria Alice Nascimento Souza.

 2014, 155 mortes para 82,5 milhões de veículos.
No país, 61 mortes foram causadas por colisões frontais e 22 por atropelamentos.
Maria Alice Nascimento destaca que a identificação dos pontos mais críticos na malha viária nacional tem sido fundamental para a prevenção de acidentes. "Fazer o diagnóstico dos pontos mais críticos e potencializar tanto os nossos recursos tecnológicos quanto os nossos recursos humanos nesses locais", descreveu.
Segundo o coordenador-geral de Operações da Polícia Rodoviária Federal, Giovanni di Mambro, os estados deMinas Gerais e da Bahia tiveram atenção maior durante a operação por terem as maiores malhas viárias. Como resultado, o número de mortes em Minas Gerais caiu 23% e na Bahia, 38%.
Os estados que registraram mais mortes foram o Paraná, com 25, Minas Gerais (24), Bahia (14),  Rio Grande do Sul (11) e Santa Catarina (9).
Ainda de acordo com a polícia, 406 motoristas foram presos por alcoolemia, e 1.650 foram autuados por ingestão de bebida alcoólica. No país, 1.742 carteiras de motoristas foram recolhidas. A operação contou, ainda, com 130 novos radares.
Minas Gerais
No estado, foram registrados 547 acidentes, com 338 feridos e 24 mortes. Somente no sábado de carnaval, foram 15 mortes. No ano passado, Minas registrou 439 acidentes, com 347 feridos e 29 mortes.



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MORTES EM RODOVIAS FEDERAIS NO CARNAVAL
Ano
Total de mortes
Mortes por milhão de veículos
2004
147
4,0
2005
148
3,8
2006
130
3,1
2007
145
3,2
2008
128
2,6
2009
127
2,3
2010
144
2,4
2011
216
3,3
2012
192
2,7
2013
157
2
2014
155
1,9
Fonte: Polícia Rodoviária Federal

NoMaranhão foram 53 acidentes com 17 feridos e 5 mortes 


A Polícia Rodoviária Federal (PRF) divulgou nesta quinta-feira (6), o resultado da Operação Carnaval, realizada entre os dias 28 de fevereiro e 5 de março, nas estradas federais que cortam o Maranhão. 
De acordo com os dados da operação, em relação ao mesmo período em 2013, houve redução de 10% no número de acidentes e de 51% no número de feridos. O número de mortes, entretanto manteve o mesmo. Foram registrados 53 acidentes, com 17 pessoas feridas e 5 mortes. A Operação do ano passado registrou 59 acidentes, 35 pessoas feridas e 5 mortes.

Engavetamento

Durante a manhã da Quarta-Feira de Cinzas, foram registrados três acidentes de trânsito no na BR-135, na altura do Campo de Perizes, todos sem vítimas. Um destes envolveu cinco veículos que ficaram engavetados e deixaram o movimento lento ao longo do trecho. Foram registradas ainda 34 conduções de motoristas, destas, 21 prisões por uso de alcool ao volante e comprovados os estados de embriaguez. 


Batida mata motociclista e capacete fica 'cravado' na lataria de caminhão


Valcilei Alves de Moura, de 25 anos, morreu em um acidente na Rodovia Jornalista Francisco Aguirra Proença (SP-101), no quilometro 50, em Rafard (SP), na manhã desta quinta-feira (6). Ele pilotava uma moto e bateu de frente em um caminhão. Com o impacto, a motocicleta e o capacete da vítima ficaram "grudados" na lataria do caminhão. Moura morreu no local e o motorista não teve ferimentos.
De acordo com informações da Polícia Militar Rodoviária, o choque aconteceu por volta das 6h50 e havia neblina no trecho. No local, que é de pista simples, há faixa dupla contínua, o que significa que é proibido realizar ultrapassagens.

Ainda conforme informações da polícia, o caminhão tem placas de Araras (SP) e seguia sentido Capivari-Rafard, enquanto a moto, com placas de Capivari (SP), estava no sentido contrário. A batida ocorreu na faixa em que o caminhão estava.

Uma ambulância da Rodovias do Tietê, concessionária responsável pela via, foi ao local, mas a vítima já estava morta. Após o choque, o caminhão foi para o acostamento e não houve bloqueio do tráfego de veículos. No entanto, houve lentidão no trecho por conta de curiosos que queriam ver o que tinha acontecido, de acordo com a Polícia Rodoviária.



quarta-feira, 5 de março de 2014

Abert manifesta repúdio a atentado contra cinegrafista no MA

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) manifesta seu repúdio ao atentado contra o cinegrafista Hilton Costa Brito, da TV Atenas, afiliada da TV Bandeirantes no Maranhão. O crime ocorreu na tarde de terça-feira (04), em Pedreiras, a 245 quilômetros de São Luís.
A vítima foi atingida por três tiros enquanto aguardava, em frente à emissora, para fazer o registro de imagens de blocos de carnaval. De acordo com a polícia, um veículo estacionou próximo ao local, e um dos três ocupantes saiu do carro e efetuou os disparos. Brito foi ferido em uma das pernas e no abdômen e encaminhado para o Hospital Nossa Senhora das Graças em estado grave.
“É extremamente preocupante a escalada de violência contra jornalistas que, desde o início deste ano, vitimou seis profissionais. A Abert apela às autoridades do estado do Maranhão para que apurem mais este crime, que não pode ficar impune”, afirma o presidente da organização, Daniel Pimentel Slaviero.

A ABERT é uma organização fundada em 1962, que representa 3 mil emissoras privadas de rádio e televisão no país, e tem por missão a defesa da liberdade de expressão em todas as suas formas.

Força Nacional atuará em presídios do Maranhão por mais 90 dias


A pedido do governo do Maranhão, a Força Nacional de Segurança Pública permanecerá por pelo menos mais 90 dias em São Luís e região metropolitana, onde reforça o policiamento em estabelecimentos prisionais. A prorrogação entra em vigor a partir de hoje (5), com a publicação, no Diário Oficial da União, da portaria do Ministério da Justiça que trata do assunto. O prazo poderá ser prorrogado se o governo maranhense achar necessário.

Policiais da Força Nacional estão atuando no estado, desde outubro de 2013, com a missão de ajudar a controlar a crise no sistema prisional estadual. Eles chegaram a São Luís depois que nove presos foram mortos e ao menos 20 detentos ficaram feridos durante uma rebelião na maior unidade prisional do estado, o Complexo Penitenciário de Pedrinhas.

O episódio levou o governo estadual a decretar estado de emergência no sistema prisional por 180 dias, prazo durante o qual o Poder Executivo maranhense pode dispensar exigências burocráticas impostas à execução de obras públicas, construindo unidades prisionais em caráter emergencial. Em outubro, a Secretaria de Justiça e Administração Penitenciária (Sejap) anunciou o projeto de construir dez unidades prisionais e reformar os estabelecimentos já em funcionamento, criando, com isso, 2,8 mil vagas carcerárias.

Além da presença da Força Nacional, a segurança do Complexo Penitenciário de Pedrinhas foi reforçada pela atuação de policiais militares. A presença do efetivo policial, no entanto, não tem sido o bastante para impedir mortes e motins, como o registrado no último dia 6. Nos primeiros dias do ano, a rivalidade entre facções criminosas acabou chegando às ruas de São Luís de forma mais intensa e organizada, com ataques a ônibus e delegacias. Em um dos ônibus incendiados estava a menina Ana Clara Santos Sousa, de 6 anos, que morreu no dia 6 de janeiro em decorrência das queimaduras que sofreu.

Pelo menos sete presos morreram este ano no interior de cárceres maranhenses. De acordo com a Sejap, quatro dessas mortes aconteceram em Pedrinhas. Levados em conta os números divulgados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), chega a 67 o total de presos sob a responsabilidade do Estado brasileiro mortos no Maranhão desde o começo de 2013.

São Luís tem 11 unidades prisionais. Desse total, oito integram o Complexo de Pedrinhas. As demais são a Unidade Prisional de Olho d'Água, o Centro de Custódia de Presos Provisórios do Anil e a Unidade Prisional de Ressocialização de Paço do Lumiar, na região metropolitana da capital.

Carnaval violento!15 homicídios registrados nos quatro dias de folia na região metropolitana de São Luís


A violência foi a marca do Carnaval 2014 na região metropolitana de São Luís. Pelos registros da Secretaria de Segurança, foram 15 homicídios nos primeiros quatro dias do mês de março. Foram nove morte em São Luís, quatro em São José de Ribamar e duas em Paço do Lumiar.

As últimas três mortes registradas ocorreram ontem, terça-feira(04). Ricardo dos Santos Mendes, o 'Cara de cavalo', de apenas 15 anos, foi assassinado a tiros por volta de 11h23, na Avenida João Pessoa, nas proximidades do Mix Mateus/João Paulo. Apesar da pouca idade, a vítima era acusada de praticar vários assaltos na região. O crime pode ter sido um acerto de contas. Por volta de 15h39, a jovem Michele Ribeiro Santos, 23 anos, foi assassinada a tiros nos fundos de uma casa, no bairro Fé em Deus, área da Liberdade. Hiago de Jesus Lopes, de 18 anos, foi assassinado por volta de 20h25, na Vila Itamar.


O mês de março começa com uma média de quase quatro homicídios por dia na região metropolitana de São Luís.


BARBARIDADE! Menino teve fígado dilacerado pelo pai, que não admitia que criança gostasse de lavar louça

Menino teve fígado dilacerado pelo pai, que não admitia que criança gostasse de lavar louça
Alex, de 8 anos, era espancado repetidas vezes para aprender a ‘andar como homem’


Alex beija a barriga da mãe, Digna, que foi ameaçada por Conselho Tutelar por não matricular menino na escola Reprodução / Reprodução

RIO - A tragédia começou a ser delineada aos poucos. Em Mossoró, segunda maior cidade do Rio Grande do Norte, Digna Medeiros, uma jovem de 29 anos que vive da mesada de dois salários-mínimos dada pelo pai, começou a ser pressionada pelo Conselho Tutelar porque não mandava seu filho Alex, um garoto franzino, que não aparentava seus 8 anos, à escola. Ameaçada de perder a guarda, mandou o menino para o Rio para que ele morasse com o pai. O encontro da criança tímida com o pai desempregado, que já cumprira pena por tráfico de drogas, não poderia ter sido mais desastroso. Horrorizado porque Alex gostava de dança do ventre e de lavar louça, Alex André passou a aplicar o que chamou de “corretivos”. Surrava o filho repetidas vezes para “ensiná-lo a andar como homem”. No último dia 17, iniciou outra sessão de espancamento. Duas horas depois, Alex foi levado para um posto de saúde. Parecia desmaiado, com os olhos grandes, de cílios longos, entreabertos. Mas não havia mais o que fazer. Estava morto.

As sucessivas pancadas do pai, provocadas porque Alex não queria cortar o cabelo, dilaceraram o fígado do garotinho. Uma hemorragia interna se seguiu, levando o menino, que também gostava de forró e de brincar de carrinho, a óbito. Apesar de a madrasta, Gisele Soares, que socorreu o enteado, afirmar que ele tinha desmaiado de repente, os médicos da UPA de Vila Kennedy desconfiaram logo de violência doméstica. O corpo de Alex, coberto de hematomas, era um mapa dos horrores que ele vinha passando. O laudo do Instituto Médico Legal descreve em muitas linhas todo o sofrimento: a criança tinha escoriações nos joelhos, cotovelos, perto do ouvido esquerdo, no tórax, na região cervical; apresentava também equimoses na face, no tórax, no supercílio direito, no deltoide, punho esquerdo, braço e antebraços direitos, além de edemas no punho direito e na coxa direita. A legista Áurea Maria Tavares Torres também atestou que o corpo magricelo apresentava sinais de desnutrição.

O posto de saúde chamou o Conselho Tutelar de Bangu, providência que nenhum vizinho do menino havia tomado. Alex morava com o pai, a madrasta e outras cinco crianças num casebre na Vila Kennedy, uma área sem UPP, onde três facções rivais travam uma guerra. Não se sabe se a lei de silêncio, que costuma imperar onde traficantes atuam, contaminou quem vivia nas casas próximas, ou se ninguém realmente sabia do que se passava no imóvel de três cômodos.

- Eu nunca escutei nada. Eu mal via o menino. Pensei até que ele já tivesse voltado para o Nordeste. Só os outros filhos saíam de casa. Acho que ele vivia em cárcere privado - diz a vizinha Wandina Ribeiro.

No depoimento que o pai, apelidado pelos vizinhos de “monstro de Bangu”, deu à polícia, há uma pista de que o menininho podia, de fato, sofrer os maus-tratos calado: “Enquanto batia, mais irritava o fato de ele não chorar, o que fazia o depoente crer que a lição que aplicava não estava sendo suficiente e que, por isso, batia mais e mais”.

Um dos conselheiros tutelares de Bangu, Rodrigo Coelho, diz que vai pedir à polícia que investigue se Alex vivia em cárcere privado. Se os vizinhos dizem não saber de nada, no colégio tampouco desconfiavam do que Alex passava em casa. Matriculado em maio de 2013 na Escola Municipal Coronel José Gomes Moreira, também na Vila Kennedy, o garoto era considerado calmo, obediente e inteligente. Teve ótimo desempenho no ano passado: nota 88 no segundo bimestre, primeiro que cursou no local, nota 100 no terceiro, e 90 no último. Este ano, não apareceu, mas os funcionários não se preocuparam: em janeiro, Alex André fora à unidade pedir a documentação escolar, dizendo que o filho voltaria para Mossoró.

O menino afetuoso, que se dava bem com os colegas, é descrito de forma bem diversa pelo pai. No depoimento à polícia, Alex André, que teve a prisão temporária decretada no último dia 19 pela juíza Nathalia Magluta e foi levado para o Complexo de Gericinó, disse que o filho “era de peitar”, “partia para dentro de você”. Segundo policiais que investigam o caso, a frieza de Alex André impressionou quem assistiu ao depoimento. Ele negou ter tido a intenção de matar, mas insistia que o filho tinha que ser “homem”.

Homofobia já tinha feito assassino rejeitar outra criança

Ninguém sabe dizer - como se isso tivesse alguma relevância - se Alex era realmente afeminado. Mas não faltam relatos de como o pai do menino era homofóbico. Sobrinha do assassino, Ingrid Moraes diz que Alex André era “cismado com essa coisa de homossexual” e rejeitava o filho mais velho, de 12 anos, por achá-lo pouco másculo. O menino, que morava numa rua próxima com a mãe, conta que a relação com o pai, que ele mal via, era cheia de segredos.

- Eu cuido da casa, mas ele nem sabia. Não acho nada demais, mas ele não aceitava muita coisa — diz o garoto, que escapou por pouco de ser surrado. - Uma vez, ele tentou, mas meu tio me defendeu.

Se poupou o filho mais velho, o mesmo não pode se dizer de outros parentes. Ingrid conta que já apanhou de Alex André, que também atacou a própria mãe

Se, em família, Alex André resolvia muita coisa no braço, na rua ele fazia valer sua condenação por tráfico de drogas (cumpriu pena por quase quatro anos) para amedrontar a vizinhança. Sem emprego fixo e vivendo de bicos, costumava consumir drogas no meio da rua e, se alguém reclamasse, dizia para não se meterem com ele.

Gisele, a mulher de Alex André, não tem sido mais vista na Vila Kennedy. Ela abandonou o lar no dia seguinte à morte do enteado, quando vizinhos ameaçaram linchá-la e atear fogo ao imóvel. À polícia, ela confirmou as palavras do marido e disse ser contrária aos castigos físicos.

Digna Medeiros, a mãe de Alex, garante que Alex André nunca foi violento com ela:

- Se soubesse, não teria deixado o Alex vir para o Rio. Ele era minha vida, nunca pensei que isso pudesse acontecer, meu Deus. Preferia que tivesse sido comigo.

Perguntada se o filho nunca havia se queixado do pai, Digna contou que só falara duas vezes com ele nos últimos nove meses.

- Eu liguei no dia que ele foi para o Rio com a aeromoça e falei também quatro dias depois. Ele disse que estava tudo bem. Depois, não consegui mais falar com o celular do pai dele. Entrei em contato com o irmão do Alex André pelo Facebook e ele disse que estava tudo bem. Confiei, afinal ele era tio do meu filho - diz.

Digna resolveu acompanhar de perto o desenrolar do caso. Deixou o bebê de 8 meses com amigos em Mossoró. O filho de 3 anos mora com os avós paternos. O mais velho, de 15, que ela não vê desde neném, ela quer encontrar no Rio.

- Tive ele muito nova, com 14 anos, não tinha a cabeça que tenho hoje. Deixei ele com o pai, lá em Honório Gurgel - diz Digna.

Digna e o conselheiro tutelar foram os únicos que participaram do enterro de Alex. Mas a cena do menino no caixão branco, de blusinha listrada, ainda marcado pela violência, foi tão forte que levou pessoas de quatro velórios que eram realizados ao lado a sair de suas capelas para abraçar a mãe.




Seis em cada dez pessoas traficadas são mulheres, diz agência da ONU



Agências da ONU lançaram hoje (5) uma campanha global para combater vários tipos de tráfico. O evento ocorreu durante uma feira do setor de turismo em Berlim, na Alemanha. Participam da iniciativa a Organização Mundial do Turismo (OMT), a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e o Escritório sobre Drogas e Crime (Unodc). Segundo o Unodc, as mulheres representam 60% das vítimas de tráfico humano, 27% são crianças – na maioria, meninas.
O objetivo é que os viajantes apoiem a luta contra o comércio ilegal de animais selvagens, artefatos culturais, drogas, produtos piratas e o tráfico humano. A campanha, cujo tema é "Suas ações contam – seja um viajante responsável", quer chamar a atenção para os procedimentos ilegais mais comuns a que os turistas possam estar expostos quando viajam.
A iniciativa fornece um guia informando como identificar possíveis situações de tráfico e que ação deve ser tomada caso isso ocorra. Segundo a agência, se o turista perceber que alguma pessoa está  sofrendo qualquer tipo de abuso, seja num bar, num hotel ou num restaurante, ele deve denunciar às autoridades locais.
A ONU alerta também para o comércio de partes de animais selvagens. Elefantes, rinocerontes e tigres correm o risco de extinção por causa de caçadores em busca dos chifres, da pele. Calcula-se que as transações ilegais dos chamados artefatos culturais cheguem a US$ 60 bilhões anuais. Já os produtos piratas geram um lucro dez vezes maior.

O Unodc alertou que o comércio global do tráfico beneficia diretamente o crime organizado que usa o dinheiro para financiar outras atividades ilegais.

Santuário Nacional de Aparecida lança Campanha da Fraternidade 2014

A Campanha da Fraternidade 2014 foi aberta oficialmente pelo Santuário Nacional de Aparecida, no interior de São Paulo, na manhã desta quarta-feira (5) em uma missa celebrada pelo cardeal arcebispo e presidente da Conferência Nacional dos Bispos (CNBB), Dom Raymundo Damasceno Assis. Com o tema "Fraternidade e o Tráfico Humano" e o lema "É para a liberdade que Cristo nos libertou", a campanha da Igreja Católica tem o objetivo de identificar e denunciar as práticas de tráfico humano.
"Toda a comunidade internacional tem agido mais intensamente contra a o tráfico humano. É uma chaga social, que fere violentamente a dignidade humana. Se para os traficantes traz lucro, para as vítimas só traz sofrimento, dor e morte. É um desrespeito universal", afirmou Dom Raymundo Damasceno Assis.
Segundo o cardeal, toda a comunidade católica precisa se mobilizar para combater o tráfico humano. O cartaz elaborado para a Campanha da Fraternidade mostra mãos acorrentadas e estendidas que simbolizam a situação de exploração vivida pelas vítimas.
"Não diz respeito só ao Brasil, mas toda a comunidade internacional e a Igreja não pode ficar imóvel diante desse problema tão grave, movido por quatro fontes de lucro ilícito: a exploração sexual, que atinge as mulheres e crianças; o trabalho escravo, que atinge os homens, mas também lança mão de crianças; o tráfico de órgão para transplantes, promovido por sequestros e até mesmo assassinatos; e a adoção ilegal de crianças, que são roubadas de seus pais", disse.
A campanha foi lançada durante a missa, que teve início às 9h. O bispo auxiliar de Aparecida, Dom Darci José, e o reitor do santuário, Padre Domingos Sávio, concelebraram a missa solene.
Em 2013, a Campanha da Fraternidade teve como foco acolher os jovens e oferecer caminhos para sua participação efetiva na comunidade da igreja. Além de acolher e propor reflexão, a a ideia era mobilizar os jovens para a Jornada Mundial da Juventude, realizada no Rio de Janeiro em julho com a visita do Papa Francisco.

Desde 1964, a Igreja Católica realiza a Campanha da Fraternidade no Brasil. A campanha normalmente é lançada na quarta-feira de cinzas, que marca o início da quaresma, um período de reflexão para os católicos e que antecede a ressureição de Jesus.